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A Máfia dos tempos modernos

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Utilizando-se da mesma fórmula de “Marcas da Violência”, esse “Senhores do Crime”, já em DVD, traz todo o fascínio rude e uma nova parceria entre o diretor David Cronenberg e o ator Viggo Mortensen. O segundo em uma de suas atuações mais inspiradas.
 
Na solidez de suas cenas ambientadas no submundo da capital inglesa, têm-se personagens atônitos, devidamente explorados, sobre conflitos visando à sobrevivência ameaçada pelo crime organizado, contextualizado pela opressão londrina liderada pela máfia russa instalada na Inglaterra, pondo em vigor sua excelência em serem os senhores do crime. Nesse plano turbulento, apresentam-se identidades imprevisíveis de seus personagens.
 
Dentre eles, homens envolvidos com assassinatos e estupros, e uma mulher determinada a encontrar a família de um bebê. A questão sobrevivência, tão explícita, se dá nos embates escatológicos, demasiado sangrentos, bombardeado na tela logo em seu início com um assassinato de um homem e com a morte de uma prostituta grávida. A iminência da morte já manifesta, indicando a que veio o filme.
 
O poder em jogo, com gângsters compostos pela estilização de seus modos, perigosos, transmitidos de cena em cena, graças a uma direção sem qualquer tenuidade. Tão vigente como a violência está o sexo, como um objeto de satisfação e de mercado, com meninas pós puberdade retiradas de seus países para ingressar na prostituição nas ruas e boates de Londres. Tal tema se intensifica com o filho herdeiro do chefão da máfia local, o desastroso e incoerente Kirill (Vincent Cassel), um voyeur dependente químico que se apoia o tempo todo em Nikolai (Mortensen).
 
Na premissa, uma parteira, Anna (Naomi Watts), pretende descobrir quem são os familiares de uma moça que deixara um bebê após sua morte. A desconhecida mulher, sem identificações, trazia consigo apenas um diário escrito em russo. Graças a um cartão de um restaurante encontrando na bolsa da vítima, Anna acaba se encontrando com Semyon (Armin Mueller-Stahl), o chefão da máfia e pai de Kirill.
 
Esse ato vem desenvolver a história que ligara os personagens de Watts e de Mortensen, com a história incógnita do rapaz que leva em seu corpo tatuagens de sua história, uma tradição dos homens os quais servia. David Cronenberg é famoso por criar personagens internamente conflituosos e mais uma vez manifesta esse potencial. Bem roteirizado e detentor de uma bela fotografia que privilegia as noites da capital inglesa, “Senhores do Crime” transmite bons momentos de tensão e desperta curiosidades com atuações que vão desde o difamatório ao hostil. É mais um belo filme esquecido nas prateleiras que merece atenção.

* Marcelo Leme é graduando em Psicologia e escreve sobre cinema às quartas e finais de semana. O seu e-mail é Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 

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