Não é preciso ser fã de literatura policial para saber quem é Sherlock Holmes, personagem que Arthur Conan Doyle tão brilhantemente concebeu. Ao longa da história do cinema, alguns filmes foram produzidos baseados na obra do Sir Doyle, alimentando de tramas curiosas antigas gerações como no bem realizado “A Vida Íntima de Sherlock Holmes” (1970) e no razoavelmente recente “O Enigma da Pirâmide” (1985).
Há anos que o detetive andava sumido das telonas até que Guy Ritchie, com muito bom humor, tratou de resgatar o personagem e trazê-lo até as telonas para deleite dos fãs e recrutação de novos interessados pela arte da dedução, e pelo cinismo excêntrico que tão fortemente marcam a personalidade desse fabuloso personagem tanto na literatura, quanto no cinema. Já características físicas, claramente, parecem terem sido descartadas pela produção.
O fato é que Robert Downey Jr. encarna com tanta dedicação Sherlock Holmes que apreciamos sua audácia e rimos de sua irreverência, ao mesmo tempo que nos fixamos atentamente em suas investigações temendo perder algum detalhe, ainda mais em algumas cenas em que acontece uma breve análise dos pontos fracos de seus oponentes antes da execução dos golpes. Um salve para seus fieis fãs. São méritos que não são somente de Downey Jr., mas da trupe de roteiristas liderados por Anthony Peckham.
O roteiro não só assombra, pasma por alguns abusos que nos perguntamos se Holmes estaria por acaso se transformando em um desses heróis de ação. Felizmente, temos um vilão interessante enquanto uma metáfora de poderes os quais estamos sob controle, sendo a magia um truque para, mais do que chamar a atenção, despertar nosso medo. E não é o medo da descrença que move o ser humano a determinadas autoridades?
Assim, Mark Strong vive Lorde Blackwood aterrorizando Londres com magias ao passo que Sherlock Holmes encara a possibilidade de perder seu fiel escudeiro Dr. John Watson, prestes a se casar. Ainda há o agravante de um retorno de um relacionamento antigo, Irene Adler, única mulher que consegue domar Holmes. Interpretados por Jude Law e Rachel McAdams, a dupla faz uma parceria próspera com Robert Downey Jr., onde certamente, renderá bons frutos para essa franquia que se inicia.
A fotografia soa tão bem numa Londres turva e ameaçadora, influindo nos olhos do protagonista de percepções poderosas, perdendo-se dentro de seus próprios pensamentos sendo obrigado a cerrar os olhos para se distanciar do brio Londrino. Bom também para os ouvidos, é Hans Zimmer quem se responsabiliza pela trilha. “Sherlock Holmes” vence nas mãos de Ritchie sendo antes de qualquer outra coisa, divertidíssimo.
* Marcelo Leme é graduando em Psicologia e escreve sobre cinema às quartas e finais de semana. O seu e-mail é Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
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