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Avatar: uma autocrítica que encanta

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É isso mesmo Avatares, matem todos esses humanos nojentos e sem coração. Foi assim que saí do cinema... e olha, que legal, em 3D. No começo, fiquei meio zonzo. Só depois, me acostumei com essa novidade e agora, amigos, quero uma TV em 3D na minha casa... Alias, acho que esse será o futuro.
 
Quase todos os ingressos da seção já tinham sido vendidos e eu fiquei a "3Dedos" da tela... Ainda bem que não era o filme do Rock Balboa... já pensou? Ia tomar uma surra! E como eles não limpam as porcarias dos óculos, foram "4Dedos", um deles em primeiro plano, com a digital marcada com gordura de pipoca na minha cara.
 
Bom, mas agora, falando sério... Até que enfim, um filme que demonstra de um modo bastante idealista as consequências da opressão por uso de uma força brutal e devastadora, seja sobre os índios ou qualquer outro povo, ou sobre o meioambiente.
 
Não me admira que uma parte do cinema americano, formado por intelectuais e naturalistas, apresente algo tão cheio de significados, afinal qual é o povo que mais invade e explora outros países em busca de novos recursos naturais? Qual é o país que mata em troca de petróleo, que comete assassinatos políticos e cria desavenças entre os povos? Esse filme é mais do que um cinema-pipoca, é uma autocrítica muito bem constituída da política externa americana. O cinema americano, sempre que pode, vai de encontro com a política externa de seu país.
 
Interessante, é que muito antes da caça ao Bin Laden, Hollywood já tinha produzido o filme "Coração Valente", com direção do Mel Gibson. Naquele filme, fizeram reverências a William Wallace, um guerreiro, que no começo do segundo milênio pós Cristo defendeu os interesses dos seus e, por isso, foi tachado como bárbaro pelo reino inglês (soberano na época). Se existisse nos dias de hoje e morasse no Afeganistão, William Wallace poderia ser tachado de terrorista. Será que algum dia alguém mostrará Bin Laden como um "guerreiro" que ousou desafiar o império de sua época?
 
Logo após a não assinatura do Protocolo de Quioto, assistimos ao filme "O Dia Depois de Amanhã", que denotou de modo objetivo a falta de lisura do Governo Bush com as eminentes consequências do aquecimento global (assunto esse que hoje é tratado com maior atenção pelo mundo). Nesse filme, inclusive, o presidente americano morre... não sei se vocês se lembram disso. E, numa das cenas mais aplaudidas pelo público brasileiro dentro das salas, o governo norteamericano perdoa todas as dívidas com a América Latina para que os americanos possam fugir para outros países, em uma "imigração às avessas".
 
Os EUA não produzem matéria prima para quase nada e dependem da superfaturação de sua manufatura (obtida graças à compra de matéria prima barata oriunda de países menos desenvolvidos) para o enriquecimento. É assim com tudo: desde roupas a combustíveis. No mundo das artes, no entanto, é um pouco diferente... o povo americano exporta, através da tecnologia artística e de seu padrão cinematográfico um ideal de vida, uma cultura que hoje é adotada por quase todos os países do mundo ocidental.
 
A boa notícia é que esse segmento da economia americana está deixando de vender a imagem de seus heróis fictícios, super bombados e armados (Rambos e Arnold Schwarzeneggers da vida) para dar lugar a uma humildade sobre-humana, que reverencia os poderes inigualáveis da natureza, da empatia e do amor comunitário... Demais! Depois de ver um soldado se apaixonar por uma selvagem azul que se identifica com a natureza é que eu entendo porque Stallone não faz mais sucesso e porque Schwarzenegger se exilou na política (interna) de seu país. Bons ventos...

* João Pedro Roriz é escritor e jornalista
Última atualização ( Sex, 29 de Janeiro de 2010 14:03 )  

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