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Guerra e paz entre os sexos

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Entre o feminino e o masculino, as diferenças físicas são irrefutáveis. A auto reprodução perfeita é impossível, considerando-se a individualidade de cada criatura.  Quanto aos aspectos genéticos da capacidade mental e o ambiente cultural, temos igualdades, semelhanças e diferenças.
 
Tratamos do óbvio. Aspectos históricos apontam para uma separação de funções entre os dois sexos a partir do processo reprodutivo, onde a mulher sempre carregou o maior fardo (transformações biológicas em nove meses de gestação, dores do parto, amamentação e maior interação com a prole). Quanto ao macho, teríamos a defesa do território, a caça para alimentação e organização social da família que incluiria a composição hierárquica da “tribo” dentro de um quadro de superioridade nas decisões políticas e administrativas.
 
Insere-se posteriormente os controles financeiros inseridos nas transações comerciais - econômicas. Assim, de maneira geral, até hoje, nos referimos ao homem como ser humano, afirmando-se tratar-se no sentido genérico. Um problema semântico ou de linguagem. Nossa cultura global, de “apartaid”. Com o passar dos milênios, as fêmeas humanas passaram a ocupar espaços cada vez maiores na sociedade planetária, assumindo funções até então tidas como próprias dos machos, em todas as áreas de atividade. Destacaríamos aquelas de autoridade, de comando ou governo. Os mais diversos fatores contribuíram para a transformação do “status quo”.
 
Sob a ótica econômica poderíamos destacar a Revolução Industrial recente acompanhada do avanço tecnológico, hoje agregado aos demais fatores de produção. A oferta de bens, em larga escala, para atender uma demanda das classes burguesas e pobres, resultou em novas necessidades para a sobrevivência em tempos modernos e, como resultado, a procura pelo aumento da renda para o sustento familiar. Claramente, o processo de urbanização ou emigração para as cidades também constituiu-se em fator de suma importância.
 
Neste início de século, podemos desenhar a mulher desempenhando funções masculinas e embora de forma tímida, a recíproca sendo verdadeira. Na visão socratiana, as crianças seriam prejudicadas pelo menor contato com os pais, registrando-se a importância crescente das amas de leite, babas e creches, quer governamentais ou particulares. Assim, a própria influência dos sistemas políticos - sociais aumentaria na formação dos indivíduos, inversamente proporcional aos conceitos inseridos em cada núcleo familiar.
 
Neste contexto, perde-se no vazio os pré - conceitos de machismo e feminismo. No campo dos “estares” humanos, a divisão de responsabilidades aponta como solução viável, exigindo mudança fundamental dos machos, no sentido de absorverem, após o nascimento dos filhos os cuidados antes tidos como somente pertencentes ao sexo feminino. Na defesa dos seres humanos frágeis e inocentes, nossa geração não poderá diminuir drasticamente a presença, as atenções e o amor dos progenitores, que moldam o caráter e a personalidade nos primeiros anos de vida.
 
Não vislumbrando-se quaisquer possibilidade de reversão do processo, em defesa das mulheres, que participam da economia familiar trabalhando fora do lar, os homens deverão continuar abrindo gentilmente a porta dos veículos e arrastando as cadeiras para as damas, bem como oferecendo-se para as tarefas nas quais sua constituição biológica e experiência (mais ampla e forte, em tese), demonstram cavalheirismo e sedução.
 
Em contra partida, as mulheres deverão restringir qualquer tipo de agressividade para aumento de seus poderes, abandonando uma competição hostil e desnecessária, prendendo-se, muitas vezes ao passado remoto com injustiças, e, exercendo o papel de vítimas das dores do parto e da amamentação (extração do leite materno). Como matéria polêmica e portanto sujeita a posições opostas, terminamos com Horácio - est modus in rebus - Tudo deve ser feito com medida, nem mais nem menos. Vamos parar de demarcar territórios.

* Ricardo Costa é economista. O seu e-mail é Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 

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